Sábado, 20 de Dezembro de 2008

Retratos de um grande Amor Parte II

POR FAVOR DESLIGUE O COTONETE

 

 

Não preciso que me o digam. Em muitas coisas sou diferente. Sou especial. E como em tudo na vida, isso é bom e é mau ao mesmo tempo.

Sou, apesar de tudo, um tanto ou quanto introvertido. Recordo-me das dificuldades que tive para a convidar a primeira vez para sair. Era a festa de aniversário de uma ex-colega minha, num bar aqui em Quarteira. Perguntei-lhe se ela não queria ir lá ter. Ela respondeu que iria e perguntou-me como é que eu ia. Respondi-lhe que ia andando a pé, pois o bar não era longe. Pediu-me para espera um pouco que ia ao quarto trocar de roupa e dessa forma iria com ela. Até tremi. Lembro-me perfeitamente. Fiquei nervoso. Foi a primeira vez que saímos juntos. Passamos a noite a conversar, entre um cigarro e uma safari com cola ela e um cutty sark com água de castelo eu. Acabamos por ficar lá algumas horas e regressamos depois ao hotel, já "embalados". É claro que nada de mais aconteceu entre nós nessa noite.

Os dias foram passando e a minha admiração por ela aumentando. Fazia tudo para a ver sorrir, para a ver feliz. Sabia o quanto ela era pegada à familia, e o quanto estava a passar por estar sozinha aqui no Algarve. Logo nessa altura, prometi a mim mesmo que nunca nada lhe iria faltar.

O trabalho dela estava relacionado com o acompanhamento de pessoas de idade. Todas as semanas vinham grupos de várias zonas do país. Era frequente, uma vez por semana, irem ao Casino de Vilamoura a um jantar de gala com baile. Numa dessas primeiras noites, lembro-me de ela me ter vindo pedir para lhe fazer um nó numa gravata que ela iria usar nessa noite. É claro que eu disse que sim. O que não lhe disse, é que não sabia fazer nós de gravata (Apesar de no meu trabalho ter que usar gravata, pedia sempre a um colega meu para fazer o nó, e sempre que a tirava, tirava com o nó feito. No outro dia era só voltar a colocar). Fui imediatamente a correr para o computador, e pesquisando, lá consegui, a muito custo fazer o nó na gravata. Foi assim que eu aprendi a fazer nós. Dirigi-me ao seu quarto, bati à porta e entreguei-lhe a gravata. Ela agradeceu-me. Mais tarde, nessa mesma noite, combinamos encontrarmo-nos num bar na marina de vilamoura. Bar esse que dava pelo nome de El Salero e que actualmente já não existe. Confesso que sou um pouco pé de chumbo e que embora goste de dançar, não sou muito dotado para a dança. Foi nesse bar que pela primeira vez dançamos juntos, e que pela primeira vez na minha vida dançei uma kizomba. Lembro-me dos sorrisos, dos abraços, da dança ritmada pelo balanço dos corpos, e claro por algum alcool à mistura. Ela acabou por deixar o carro nesse bar, e atravessamos a maria de vilamoura a pé, até ao Black Jack, discoteca que fica no casino de Vilamoura..Pareciamos duas crianças naquele caminho até à discoteca. A correr, a rir, com ela a pular nas minhas cavalitas... Dançamos o resto da noite. No final, já com o sol a nascer regressamos ao hotel. Os "seus" velhotes já estavam levantados. Disfarçamos, entramos separados. Ela com um jornal debaixo do braço, dando a entender que tinha saido para ir comprar o jornal... Desconfio que não tenha conseguido enganá-los... :)

Mais uma vez nada se passou entre nós...  Admito que a vontade de a agarrar, de a beijar era mais que muita. Mas havia algo que me preocupava, Não parava de pensar que o final do estágio estava quase a chegar e que ela iria embora. E depois como seria? Conhecendo-me como me conheço, iria sofrer com um afastamento...

Os meses foram passando até que em meados de Dezembro chegou a hora de ela ir embora. Resolveu ficar mais alguns dias em casa de umas amigas em Boliqueime antes de ir para cima.

Na manhã em que ela deveria deixar o hotel, deixei-lhe rosas mais uma vez na porta do quarto e mais tarde antes dela sair, pedi à governanta para abrir a porta do seu quarto e deixei-lhe em cima da cama, um livro, a Praia do destino de Anita Shreve, uma caixa de bombons baccio e um poema...

Mais tarde nesse dia chorei... Foi um momento dificil... E não foi o único, pois muitas vezes chorei por ela. Chorei e continuo a chorar...

 

(CONTINUA)


sinto-me: triste...
música: Simply Red - Go Now

publicado por miguel_sousa às 10:10
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Repousar no teu sorriso...

 

POR FAVOR DESLIGUE O COTONETE

 

 

 

Às vezes...
queria ser uma das tuas pestanas,
para o brilho do teu olhar
ser o meu sol,
que nascia de manhã
para à noite se pôr
e dar lugar ao sonho.

Queria ser como já sou,
pequenino junto a ti.
Quase insignificante,
mas sempre lá,
junto a ti...
sem que muitas vezes me visses
mas sempre no teu olhar,
risonho...

E mesmo um dia
que morresse,
caísse,
me desprendesse de ti.
Não queria mais nada amor,
que cair lentamente
e repousar
no teu sorriso
onde ainda hoje
estou...

BBB
(Só para ti)

sinto-me: Mal...

publicado por miguel_sousa às 02:22
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